O que a história nos diz sobre a economia após a pandemia?

As pessoas gastam mais, assumem riscos e costumam exigir muito dos políticos.

Hoje enquanto o COVID-19 infelizmente segue com um nível de contágio elevado nos países mais pobres, o mundo rico está à beira de um crescimento econômico já considerado final/pós-pandemia, visto que os governos estão suspendendo parcialmente ordens mais duras de isolamento, de acordo com a diminuição de casos, hospitalizações e mortes somados a elevação do número de vacinas aplicadas. Com isso, alguns analistas preveem que a economia norte-americana, por exemplo, crescerá algo em torno de 6%, o que necessariamente resulta em mais oportunidades no mercado de trabalho.  

Isso se repete também para outros países, estudo feito pela revista The Economist, aponta para crescimentos muito parecidos para as principais economias globais, o que não era observado desde 1830, período assombrado pela Cólera: 

A situação é tão estranha, que alguns economistas recorreram a história para se saber o que esperar para os próximos anos, as análises principais vêm trazendo três grandes lições para nossa atual situação: 

1 – Embora as pessoas anseiem sair e gastar, a incerteza perdura, as evidências sugerem que os gastos do primeiro ano de “volta à normalidade” têm um padrão de consumo doméstico muito parecido com o do último ano da pandemia. A taxa de poupança do Japão em momentos posteriores a Primeira Guerra Mundial, mais do que dobrou, assim como no Reino-Unido durante o surto de varíola de 1870. Ou seja, a história nos aponta que as pessoas não sairiam gastando de forma histérica comemorando o fim das catástrofes, ela nos mostra uma elevação de gastos leve, com parcimônia, mas suficiente para elevar o volume de empregos e melhoras as expectativas;

2 – Um segundo ponto que podemos aprender com o passado é que a oferta de bens e serviços pode mudar.  Estudos realizados na Europa indicam que as pessoas tendem no médio prazo a apostar em novos negócios e meios de ganhar dinheiro, um pesquisador de Yale (Nicholas Christakis) concluiu em pesquisas recentes que a pandemia da gripe espanhola deu lugar a expressões crescentes de riscos, Além disso, existe uma correlação de substituição direta entre crescimento tecnológico e pandemia, algumas empresas tendem a automatizar alguns processos, os chefes buscam reduzir a propagação de doenças (sic) e obviamente robôs não adoecem. Ainda como subtópico da segunda lição, salários reais tendem a subir no curto prazo, por um motivo um tanto quanto macabro: a doença abate os trabalhadores, deixando os sobreviventes em uma posição de barganha mais forte;

3 – Mudanças políticas: Isso parece estar acontecendo desta vez: os formuladores de políticas em todo o mundo estão menos interessados em reduzir a dívida pública ou evitar a inflação do que em reduzir o desemprego. Um novo artigo de três acadêmicos da London School of Economics também concluiu que o covid-19 tornou as pessoas em toda a Europa mais avessas à desigualdade. Essas pressões, em alguns casos, explodiram em desordem política. As pandemias expõem e acentuam as desigualdades pré-existentes, levando aqueles que estão do lado errado da barganha a buscarem reparação. O ebola, em 2013-16, aumentou a violência civil na África Ocidental em 40%, de acordo com um estudo gerando uma instabilidade civil.

Evidente que cada momento histórico tem suas particularidades, a população tem suas alterações culturais e o futuro é banhado pela água violenta da incerteza. Como grande lição econômica que fique a solidariedade, o uso do comércio local e que continuamos cuidando dos nossos. 

Se possível, se cuide e fique em casa. Nada mais valioso que a dádiva da vida. 

Artigo baseado em estudo publicado pela revista The economist em 01/05/2021″

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