As falácias em tempos de polarização: Como identificar discursos vazios?

Em tempos de forte polarização e discussões presentes em todas as mesas de jantares (Encontros raros, com mascará e álcool higienizante), notamos cada vez mais posturas que recordam muito a dos sofistas da Grécia Antiga. – Sofistas eram filósofos que viajavam de cidade em cidade realizando discursos públicos para atrair estudantes, de quem cobravam taxas para oferecer-lhes educação. Esse grupo foi muito criticado por Sócrates, pois segundo ele apresentavam verdades relativas de acordo com o gosto do freguês, sempre com uma retórica invejável, mas sem compromisso com a verdade absoluta.

Atualmente, assistimos figuras governamentais, correntes no WhatsApp, programas no YouTube ou redes sociais que através da manipulação histórica, tentam fazer com que verdade e mentira deixem de ser uma questão objetiva e passassem a ser apenas uma questão de poder e esperteza, de pressão e repetição infinita. Daí vem as “falácias”, que nada mais são que do que técnicas para alguém que está errado aparentar ser o detentor da razão em uma discussão. Você consegue identifica-las em uma discussão? Abaixo, alguma das principais:

1 – Usar a popularidade da ideia: Em uma discussão, é muito comum que um dos lados argumente que sua ideia é a verdadeira por ser aceita por muitas pessoas. “Se o povo gosta é porque é bom” – Isso não necessariamente é verdade.

2- Autoridade: “Você sabe com quem está falando?” quem nunca escutou isso em uma discussão? – Geralmente, o debatedor invoca alguma autoridade do assunto ou até mesmo se coloca como tal, para garantir a inquestionabilidade de sua ideia, sem explica-la satisfatoriamente. Um youtuber que faz uso frequente, é um autointitulado filosofo que postou a seguinte frase no Twitter “Pouca gente no Brasil está entendendo alguma coisinha do que se passa eleição americana”, colocando-se como detentor de um conhecimento que comprovaria uma possível fraude no processo eleitoral (sic).

3 – Anedota: Utilizada principalmente em tempos de “COVID-19”, o argumento utilizado é a generalização de um fato particular como norma da sociedade, por exemplo, “Meu primo pegou coronavírus, não ocorreu nada com ele, logo a doença não passa de uma gripe”. O funcionamento social, não se resume a nenhuma experiência pessoal.

4 – Novidade/antiguidade: Assim como na popularidade, a ideia seria correta para o interlocutor do debate por se tratar de uma novidade, ou por ter vencido as barreiras do tempo (antiguidade) – “No meu tempo era tudo melhor”, “Você pensa quadrado para os dias de hoje”.

5 – Consequências: Ao ser questionado por um fiscal da vigilância sanitária no Rio de Janeiro, um casal tentou intimidar o agente público com a seguinte argumentação ao ser chamado de cidadão: “Cidadão não, engenheiro civil formado, melhor do que você”, “Nós pagamos você”, “Deixa eu falar com seu chefe”, fazendo um apelo claro as consequências.

6 –Apelar para o ridículo: “Tomar vacinas, fará com que eu mude minha posição política”, é a falácia que pega um ponto da discussão e o extrapola a um extremo fantasioso ou irreal na tentativa de derrubar toda a argumentação. No caso, objetiva gerar dúvidas no ouvinte, que passa a acreditar que nenhuma outra versão se sustente diante de uma possibilidade irreal utilizada como recurso retórico.

7 – Ad Hominem – Nada mais são que ofensas pessoais, e falas que desqualificam o adversário do debate como a idade, sexualidade, classe social, posicionamento político, etc.

8 – Inversão do ônus da prova: “Prove que eu estou errado”, o interlocutor joga para o outro lado a responsabilidade da argumentação, sem explicar as causas que o levam ter o raciocínio em questão.

Em tempos de discussões acaloradas, esse pequeno texto tenta te auxiliar nas discussões interpessoais e sobretudo, realizar uma melhor análise do discurso de políticos, jornalistas, economistas e ou outros influenciadores.

O texto teve como fonte principal, o artigo do Nexo Jornal “O que é uma falácia e quais são os seus principais tipos” de Cesar Gaglioni e o livro de Hannah Arendt “Origens do Totalitarismo: Antissemitismo, imperialismo, totalitarismo”

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