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História de Cajamar: Greve “Cimento Perus” completa 55 anos

História de Cajamar: Greve “Cimento Perus” completa 55 anos
maio 27
22:43 2017

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No dia 14 de maio de 2017 completou 55 anos de uma das maiores graves do mundo em tempo de duração. Conheça um pouco mais da historia da greve na qual deu origem aos “Pelegos” e “Quixadas”, figuras sofridas que marcaram o início da história de Cajamar.

Em 14 de maio de 1962, sem resposta do patrão, as quatro empresas da Família Abdalla entram em greve, junto ao acordo de que ninguém voltaria ao trabalho até que todos os pedidos fossem atendidos. Na época, os funcionários que questionavam as condições precárias de trabalho, ganharam o nome de “Queixadas”, somando cerca de 3.500 trabalhadores quando a grande greve começou na Cimento Portland Perus, e se alastrou para as outras três fábricas do grupo Abdalla, sendo a Usina Miranda (Pirajuí/SP), Tecelagem Japy (Jundiaí/SP), Fábrica de Papel Carioca (Jundiaí/SP) e Copase (Companhia Paulista de Celulose, na qual por muito tempo marcou a paisagem de uma área próxima ao km 36 da Via Anhanguera (Gato Preto), hoje conhecida como Industrial Park.

Indignados com o não pagamento de salários e benefícios, os trabalhadores cruzaram os braços no dia 14 de maio de 1962. Depois de muito tempo, as maquinas foram desligadas, pondo fim ao som infernal que não parava sequer para manutenção.

Assim teve origem à greve que no início durou 99 dias e paralisou aquela que foi a maior fábrica de cimento da América Latina, responsável pelas construções dos primeiros edifícios da Capital Paulista. No centésimo dia, houve uma operação fura-greve, onde muitos voltaram ao trabalho por influência da deputada estadual Conceição da Costa Neves, que na época frequentava a região para convencer os operários a retornar ao trabalho com base em acordos.

Assim surgiu o movimento dos “Pelegos e Queixadas”, onde os “Pelegos” foram os que aceitaram o acordo político feito pelo patrão e voltam ao trabalho quase que escravo, com condições mínimas que muitas vezes chagaram a matar trabalhadores por exaustão. Já a maioria dos trabalhadores, chamados de “Queixadas”, se tornaram pessoas “indesejáveis” por Abdalla e foram impedidos de voltar ao trabalho o que causou um conflito épico na região, com ocupação militar em Perus e Cajamar.

Durante o ano de 1962, os “Pelegos” fizeram passeatas e protestos no centro da Capital, além de greve de fome em frente ao palácio do governo do estado. Em 1963 o Sindicato dos Queixadas, entrou com ação para reintegrar os trabalhadores, Abdalla negou, com a justificativa de abandono de emprego e ainda quis despejá-los das vilas operárias, mandando inclusive cortar água e luz nas casas. Houve resistência e trabalhadores foram aconselhados a tirar uma nova carteira de trabalho e trabalhar em outro local. Muitos trabalhadores abandonaram suas casas e foram para outras cidades.

Os grevistas permaneceram por sete anos na luta, com perseguição policial, sem trabalho e por muitas vezes passando necessidade.

Abdalla, dono da fabrica de cimentos, foi denunciado por Corrupção e a grave foi legitimada pelo governo em 1967, quando os trabalhadores foram reintegrados a empresa. A fábrica teria de pagar os salários correspondentes aos sete anos. A luta continuou com denúncias de fraudes contra Abdalla e a reivindicação da cogestão da fábrica. A greve foi considerada legal apenas em 1975, quando o governo federal pagou os salários referentes aos 2.448 dias de paralisação e interveio na fábrica.

Após grandes passeatas apoiadas pela igreja católica em 1974 contra a poluição causada pelas fabricas que causavam mortes pela contaminação do solo, ar e condições de trabalho, os trabalhadores exigiram o confisco total dos bens de Abdalla, o pagamento dos salários atrasados e a instalação de filtros nas chaminés.

Com inúmeras denúncias, protestos e pressão popular, a fabrica foi fechada em 1983, pondo fim a um inferno que sacrificou vários trabalhadores e mudou completamente a História de Cajamar.

Nos dias de hoje ainda existes antigos trabalhadores que aguardam resultados de processos trabalhistas e indenizações, na qual nunca chegaram a ser pagas.

Referências: “Livro o cimento das almas”

                         “A lição dos Queixadas”

                        “Entre Pelegos e Queixadas”               

Texto: Fernando Crus 

 

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